Sobre

 

A Semana de Saúde Mental e Inclusão Social é promovida anualmente pela Rede Saúde Mental UFMG. Em uma perspectiva interdisciplinar aborda a temática da saúde mental na perspectiva da reforma psiquiátrica e do SUS, fomentando a discussão na comunidade acadêmica, em parceria com diversas instituições envolvidas na sustentação das ações de acolhimento e cuidado às pessoas com sofrimento mental, e com atores sociais relevantes que tem se articulado na construção e defesa da atual política de saúde mental brasileira. Tal política preconiza o tratamento em liberdade e a promoção de saúde. A Semana tem também o objetivo de celebrar e divulgar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o “18 de Maio” – mobilizando movimentos sociais, coletivos antimanicomiais e a rede pública de atenção em saúde mental. Procura-se realizar esse movimento com a criação de espaços e meios de compartilhamento e reflexão, promovendo o intercâmbio de informações entre os sujeitos envolvidos na construção e sustentação dessa política, incentivando o diálogo entre instituições, estudiosos e pesquisadores nacionais e internacionais que se dedicam à saúde mental e a comunidade interna e externa à UFMG.

O evento é estruturado por meio de diversas estratégias: conferências, mesas redondas, rodas de conversa, oficinas e atividades culturais (feiras, mostras, congraçamento etc). Conta com a participação de usuários, profissionais da rede de saúde mental, estudantes, servidores (professores e técnicos administrativos em educação nacionais e internacionais) e da sociedade em geral. A quinta edição da Semana de Saúde Mental acontecerá no período de 15 a 19 de maio. Pretendemos com a realização desse evento estimular o encontro entre diversos setores e interessados na problemática da saúde mental e inclusão social, propondo grupos de trabalho contínuos que possam ser propositivos e inovadores em diálogo com os saberes acadêmicos, políticas públicas e movimentos sociais.

Por que um cavalo?

MARCO CAVALLO, o cavalo azul italiano, é uma bela e grande escultura feita com madeira e papel marchè no antigo manicômio de Trieste, em 1973, em uma das oficinas de arte que operavam ao longo do processo de desinstitucionalização e libertação dos internos. É um símbolo da luta ética, social, médica e política pelo tratamento em liberdade, pelo encontro entre a loucura e a sociedade, a cidade, o território, e pela lei de reforma psiquiátrica italiana que seria conquistada alguns anos depois, justamente em maio de 1978. Ele tem corrido o mundo, sempre reinventado, levando a luta por direitos humanos para além das fronteiras italianas. Sua mais recente batalha tem sido pelo fim dos manicômios judiciários.

Na UFMG, Marco Cavallo se faz presente na luta por inclusão, pelo direito ao conhecimento e pela construção de uma política de saúde mental antimanicomial. É uma referência à luta obstinada de Franco Basaglia e tantos outros, como, por exemplo, Nise da Silveira, que homenageamos na primeira mesa da V Semana de Saúde Mental.

Marco Cavallo é uma criação coletiva que remete a uma história real. Trata-se de uma iniciativa vitoriosa dos internos do Manicômio para salva um velho cavalo que servia a todos e estava em vias de ser sacrificado, morto. A salvação de Marco Cavallo significou a possibilidade de liberação coletiva e exercício de solidariedade que tomou forma, não apenas de uma escultura, mas de celebrações festivas que foram um marco na história da reforma psiquiátrica italiana e mundial. Arte se tornou um instrumento de construção de liberdade e respeito.

A Rede Saúde Mental UFMG

A V Semana de Saúde Mental e Inclusão Social é promovida pela Rede Saúde Mental UFMG vinculada à Pró-reitoria de Extensão que é composta por grupos, laboratórios e núcleos de extensão, ensino e pesquisa em saúde mental de diversas áreas do conhecimento (psicologia, medicina, enfermagem, terapia ocupacional, belas artes, educação física, história), setores de serviços em interface com a saúde mental na UFMG, parceiros externos e coletivos e organizações de usuários e familiares.

As Redes buscam reunir e articular grupos, laboratórios e núcleos de extensão, ensino e pesquisa da UFMG em torno de temas emergenciais das sociedades contemporâneas. De caráter interdisciplinar, propõe a construção de uma agenda de troca, interlocução e cooperação continuada entre os membros da Rede em diálogo com outros atores da sociedade (políticas públicas, movimentos sociais, organizações sociais).

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